MnV – Campinas!

Mal terminou o Festival Mulheres no Volante em Juiz de Fora e já anunciamos nossa próxima parada: Campinas (SP)!

Veja só como vai ser:

Em Campinas, a mulherada feminista, juntando Mulheres no Volante Campinas e Marcha das Vadias Campinas, resolveu organizar uma primeira versão do evento na cidade, menor que o festival original em Juiz de Fora, para daí começarmos a articular outros grupos feministas da cidade que queiram ampliar este festival em outras versões!

A programação completa está no cartaz. Vamos??

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Muito obrigada! :)

Oficina de imagem digital no MnV 2011.

Amigos(as), colaboradores(as) e parceiros(as) do Festival Mulheres no Volante,

é com muito entusiasmo que anunciamos: conseguimos atingir nossa meta no Catarse!!

Em apenas 25 dias, juntamos R$ 5.805. \o/

Só temos a agradecer a todas as 74 pessoas que contribuíram com o projeto, e a todas as outras que, mesmo sem poder contribuir financeiramente, ajudaram a divulgar em suas redes sociais, blogs e no velho e infalível boca-a-boca.

Aproveitamos pra reforçar a importância da produção coletiva do Mulheres no Volante. Nós não temos patrocinadores oficiais, nem logomarcas de mega empresas atrás de nossas camisetas. O festival só é possível por que é feito de forma coletiva, através do apoio de vocês, da forma que cada um(a) pode contribuir.

O Mulheres no Volante é um festival independente e vai continuar sendo.

Vamos preparar com carinho os brindes de vocês. ;)

O 5º MnV começa hoje!

Grande abraço e até daqui a pouco!


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Apoiadores(as) do Festival Mulheres no Volante 5.0:

Alexandre Dudu Mazzei
Aishameriane Schmidt
Ana Paula
Ana Paula Oliveira
Bárbara Lopes
Betina de Tella
Bruna Lz
Brunella Martina
Bruno Videira
Bianca Santana
Bianca Cardoso
Carina Scaldini
Ciro Madd
Cynthia Dias
Clarisse Paradis
Celia Alldridge
Carol Cançado
Clara Sampaio
cilmara bedaque
Dayse Hansa
Diana Junqueira Leite
Daniela Valverde
Elaine Santana
Eduardo Novellino
Fatima Ramos
Fernando De Oliveira Barreiros
Fred Mendes
Francine Costa
Gabriel Medina de Toledo
Gustavo Amigo
Giliard Tenório
Heron Franco
Helena Krausz
Isabela Gaia
Jul Pagul
Juliana Nunes
Jeanne Callegari
Ligia Inhan
LiviaCarol Gouvêa
Laura Mendes de Barros
Lee Mattos
Laura Pequeno
Lívia Ribeiro
Laila Castro
Liliane Oliveira
Melina Rombach
Miguel Vieira
Morgana Eneile
Murilo Garcia
Nalu Faria
Nati Martins
Paula Zagotta
Pedro Nogueira
Pedro Markun
Raquel Duarte
Roberta Carminati
Safira Caldas
Saulo Padilha
Silvânia Sottani
Tainá Novellino
ticamoreno
Thais Thomaz
Tatiana da Motta
Tiago F. Pimentel
Thiago De Teive
Tiago Rattes de Andrade
umapomba Voando
Vinicius Moraes
Vinicius Macario
Wania Maria de Souza

Festival Mulheres no Volante comemora 5ª edição com o tema “Nas ruas e nas redes”

O Festival Mulheres no Volante (MnV) chega à quinta edição cheio de novidades. São quatro dias seguidos de programação em Juiz de Fora (MG), começando em 1º de março. Criado em 2007 por um grupo de artistas da cidade, o evento comemora cinco anos, reforçando o caráter coletivo e colaborativo, por meio do uso das novas tecnologias de comunicação. O festival este ano tem como atrações principais a cantora Ellen Oléria, de Brasília (DF) e a banda de rock experimental Human Trash (SP), além de apresentações das locais Matilda, Quinteto São do Mato, Moletones e GLAM, e de diversas oficinas, performances, exposições, mostra de vídeos e debate. A abertura acontece no Mezcla e o restante das atividades no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM).

Programação 5.0

Na abertura oficial do evento, haverá uma edição especial do projeto Eco Performances Poética, no Mezcla. Serão oferecidas gratuitamente onze oficinas, voltadas para mulheres, com o objetivo de inseri-las em meios ainda predominantemente masculinos. No dia 2, acontece a Mostra Itinerante de Cinema, uma parceria com o Primeiro Plano – Festival de Cinema de Juiz de Fora e Mercocidades e, em seguida, o debate “A mulher na mídia: da representação às formas de intervenção”. Com participação do coletivo feminista Maria Maria – Mulheres em Movimento (núcleo do movimento Marcha Mundial das Mulheres em Juiz de Fora), a discussão será sobre como a mulher é retratada nos meios de comunicação tradicionais (televisão, rádio, jornal impresso, …) e como a internet pode ser usada como meio alternativo.

No dia 3, acontecem os shows de rock, com as bandas locais GLAM e Moletones, e com as convidadas Human Trash (SP), Ricto (RJ) e Anti-corpos (SP). O encerramento, no dia 4, terá muita MPB, com as bandas juiz-foranas Quinteto São do Mato e Matilda. O fechamento fica por conta da artista Ellen Oléria (DF), apontada como o maior expoente do cenário musical brasiliense.

O MnV engloba ainda diversas manifestações artísticas, tais como exposições, performances, instalações, desfile temático e dança tribal. Oficinas, mostra de vídeos e debate são gratuitos. Os ingressos para sábado e domingo serão vendidos a R$ 8 (cada dia), na portaria do evento.

“Mulheres no Volante – nas ruas e nas redes”

O festival surgiu em Juiz de Fora (MG). Compartilhando experiências com mulheres de outras regiões, on e offline, surgiu a ideia de criar uma rede de mulheres no volante pelo feminismo e pela cultura. Em dezembro de 2011, o MnV realizou sua primeira edição fora de casa, em Brasília (DF), em conjunto com coletivos, artistas e movimentos sociais da região. Para 2012, já são preparadas edições do MnV em Campinas (SP), Rio de Janeiro e São Paulo. A internet é o meio que facilita e fortalece essas conexões, daí o tema: “Mulheres no Volante – nas ruas e nas redes”. A internet fortalece a articulação em rede, sendo hoje uma importante ferramenta para superar a situação histórica de desigualdade das mulheres na sociedade. Dessa forma, o MnV 5.0 busca incentivar a colaboração, a interatividade, o ativismo, a troca e a criação livre através da rede.

Confira a programação completa aqui:
http://ow.ly/9eazV

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail mulheresnovolante@gmail.com ou pelos telefones:

(32)9936-7538   (Vivo)
(32)8841-4388   (Oi)
(11)8597-5570   (Tim)

Festival Mulheres no Volante 5.0 – nas ruas e nas redes

Da Primavera Árabe aos Anonymous, 2011 foi um ano marcado pela explosão de manifestações articuladas através das redes sociais. As Marchas das Vadias (do inglês “Slutwalks”) mobilizaram mulheres nas mais diversas partes do mundo, protestando contra a violência sexista e a exploração dos corpos das mulheres. No Brasil, as marchas também saíram do Facebook e do Twitter e ganharam as ruas em todas as regiões do país. Fazendo o caminho inverso, a tradicional Marcha das Margaridas, que no ano passado reuniu 70 mil mulheres em Brasília (DF), em busca de melhores condições de vida, contou com uma cobertura colaborativa e autônoma, feita em tempo real pelas próprias militantes, através das redes.

Sem dúvidas, esse também foi um ano decisivo pra nós do Festival Mulheres no Volante.O festival surgiu em 2007, na cidade de Juiz de Fora (MG). Compartilhando experiências com mulheres de outras regiões, surgiu a ideia de criar uma rede de mulheres no volante pelo feminismo e pela cultura. Em dezembro de 2011, realizamos nossa primeira edição fora de casa, em Brasília (DF), em conjunto com coletivos, artistas e movimentos sociais da região. Para 2012, são preparadas edições do MnV em Campinas (SP), Rio de Janeiro e São Paulo. A internet é o meio que facilita e fortalece essas conexões.

Movidas por tudo isso, surge a inspiração pro tema da 5ª edição do festival: “Mulheres no Volante – nas ruas e nas redes”!

Todos os dias, compartilhamos não apenas músicas, textos, vídeos e imagens, mas também motivações e experiências. A arte que circula mostra que é momento de valorizar artistas e produtoras independentes, renovar estilos, democratizar palcos e ocupar ambientes cada vez mais públicos. É preciso superar os tradicionais filtros (grandes gravadoras, meios de comunicação de massa, etc) e dar a oportunidade das mulheres inserirem-se na cultura de forma criativa e colaborativa.

A internet representa hoje um meio fundamental para superar a situação histórica de desigualdade das mulheres através da livre criação e divulgação de sua arte. No Festival Mulheres no Volante 2012, queremos incentivar a colaboração, a interatividade, o ativismo, a troca e a criação livre. Vamos estimular a produção compartilhada, usando as redes sociais digitais para conectar criações artísticas. É tempo de nos reapropriarmos da música, arte, tecnologia e comunicação colaborativa. É tempo do feminismo em rede!

@mulheresvolante
mulheresnovolante@gmail.com

Conheçam aqui programação do Festival Mulheres no Volante 5.0

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Foi dada a largada pro Festival Mulheres no Volante 2012!

Amig@s, foi dada a largada!

O Festival Mulheres no Volante está no Catarse!
Pra quem não conhece, é um site de arrecadação coletiva de fundos.

Contamos com vocês para tornar possível a 5ª edição do MnV. Mas não é doação! Preparamos brindes bonitos pra nossos/as queridos/as apoiadores/as. ♥

Se você curte o projeto e quer que ele aconteça, por favor, não deixe de contribuir. \o/
Se você ainda não nos conhece, no próprio Catarse tem um vídeo feito especialmente pra contar um pouco mais sobre a gente. ;)

Qualquer apoio é muito importante pra conseguirmos o total. Caso contrário, não recebemos nada, e cada um/a recebe sua parte de volta.

E aí, vamos engatar a quinta com a gente?

É só entrar aqui pra contribuir!
Qualquer apoio é muito importante!

Para saber mais:

@mulheresvolante
http://mulheresnovolante.com/
http://www.facebook.com/profile.php?id=100001500591665

Abraços e muito obrigada!

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Carta aberta a todas as Mulheres no Volante

Conheci a Ju Pagu pessoalmente durante o I Fórum da Internet no Brasil, que aconteceu em outubro deste ano, em São Paulo (SP). Antes disso, sabíamos da existência uma da outra apenas através das poucas letras que havíamos trocado, em meio à torrente de mais de cem e-mails diários do grupo das Blogueiras Feministas – articulação de mulheres em rede que, em pouco mais de um ano, já reúne mais de quatrocentas pessoas, de todas as partes do país, e cuja principal ação na internet é o blog coletivo homônimo.

Entre um debate e outro, no breve espaço reservado ao almoço, compartilhamos palavras, imagens e sons arquivados em nossa memória sobre nossa experiência vivida e sobre o que nos move na vida. Dessa identificação profunda, instantânea e sincera, nasceu a parceria para fazer a primeira edição do Festival Mulheres no Volante (MnV) fora de casa.

O MnV é um festival criado em 2007, em Juiz de Fora (MG), como uma resposta à ausência (ou à invisibilidade) de mulheres tocando em bandas e produzindo shows. A proposta de fazer um “festival de bandas femininas” logo se expandiu e, entre debates, oficinas e rodas de conversa, o MnV passou a agregar também diversas outras manifestações artísticas (poesia, dança, artes visuais, performances, …).

O MnV surgiu inspirado no Ladyfest, evento feminista criado na cidade de Olímpia (EUA), e que ano passado completou dez anos de existência, tendo se espalhado por diversos países, inclusive pelo Brasil.

Novas articulações surgem por aqui, tais como o Festival Vulva la Vida (Salvador/BA), que foi um sucesso em 2011 e já tem sua segunda edição agendada pra janeiro de 2012, e o Festival Roque Pense (Nova Iguaçu/RJ), também marcado pro próximo ano – além de iniciativas legais já extintas, tais como o Festival de Punk Feminino (Goiânia/GO).

Nesses quatro anos, fizemos contato e trocamos experiências com mulheres de todo o Brasil que compartilham de nossas inquietações e, principalmente, da enorme vontade de botar a mão na massa pra começar a reverter esse cenário. Ao longo de nossa caminhada, fomos agregando muit@s colaboradoras(es), sem @s quais o MnV jamais seria do jeito que é hoje.

Nós costumamos dizer que queremos mudar o mundo começando pela cultura. Nosso sonho sempre foi espalhar a ideia do feminismo por todos os lugares, e a melhor maneira de fazer isso é em rede.

Vivemos em uma sociedade organizada na forma de rede. A internet permeia nossas relações e transforma o modo como produzimos, consumimos e nos apropriamos da arte e da cultura. A produção e a difusão da música agora independem das grandes gravadoras. A rede inspira processos coletivos e colaborativos, e é dessas novas ferramentas que queremos nos apropriar, criando novas possibilidades de acesso à cultura e criação artística para as mulheres.

Queremos inspirar mais mulheres a “se empoderarem”, a assumirem o volante de suas bandas, de seus festivais e de suas próprias vidas.

O percurso é longo: a discriminação e o acesso desigual das mulheres à (produção de) cultura, à política e ao mercado de trabalho, infelizmente, ainda é uma realidade. Ainda somos responsabilizadas pelo trabalho de cuidado da família e da casa, tendo menos tempo pra nos dedicar a outras atividades. Gastamos em média 25 horas por semana com o trabalho doméstico, enquanto os homens gastam apenas 10 horas. No mercado, somos 57,6%, contra 80,5% dos homens, e ainda recebemos menores salários (em média, R$ 700,88 reais, contra R$1070,07), mesmo tendo maior grau de escolaridade. A violência de gênero espanca uma mulher a cada 15 segundos em nosso país. Apenas 50% das brasileiras está satisfeita com sua aparência física, enquanto 70% dos brasileiros estão plenamente satisfeitos. Nos grandes festivais ao redor do mundo, não é diferente. Em Glastonbury (Inglaterra), as mulheres foram apenas 1/24 do total de artistas a tocarem nos principais shows.

Queremos contribuir para superar essa situação criando uma grande e autônoma rede nacional de mulheres na e pela cultura, respeitando as demandas e especificidades de cada região. Os cenários são parecidos, o sexismo é cotidiano e se repete, mas onde quer que haja mulheres inquietas, haverá maneiras criativas de transformar essa situação.

Caindo na estrada pela primeira vez, saímos da zona da mata mineira com destino ao cerrado brasileiro, rumo a fortalecer a articulação das mulheres na e pela cultura.

E é exatamente por achar que existem mulheres no volante assim como nós, como a Ju e como tantas outras pelo Brasil que queremos inspirar mais garotas a ligarem seus próprios motores. Chamem de Mulheres no Volante, chamem do que quiserem – e chamem a gente pra pegar carona.

É como dizem em Salvador: “vulva la vida, vida la vou eu”.

Vida longa ao riot grrrl!

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Bruna

Aliste-se já!

Confira a PROGRAMAÇÃO OFICIAL DO MNV – BSB

O que #culturalivre tem a ver com #feminismo

Bikini Kill: revolution grrrl style now

Publicamos há pouco a convocatória para o Festival Internacional de Música Livre (#FimLivre), que vai acontecer em Porto Alegre (RS), em janeiro de 2012. O Mulheres no Volante está participando da organização do festival de forma a contribuir para a inserção das mulheres em todas as etapas da cadeia produtiva do evento. Mas nossa participação, assim como a de outras militantes que estão colaborando para a construção do projeto, não se limita a isso.

Para entender o que o debate da #culturalivre tem a ver com o #feminismo, reproduzimos abaixo texto bastante esclarecedor da Tica Moreno, militante da Marcha Mundial das Mulheres e colaboradora do Festival Mulheres no Volante.

Um convite a ser mais livre
07/04/2011 por Tica Moreno

“Livre” é um adjetivo usado pra qualificar e definir, por exemplo, a cultura, a música, o trabalho, o mercado, a associação, o software, as relações, os povos, as pessoas…

Dar mais conteúdo ao “livre”, articulando vários aspectos da liberdade é um desafio e tanto, que não é necessariamente interessante pra tudo que se define como livre. O livre mercado dos EUA e das transnacionais, por exemplo, se chama de livre, mas (além de depender – e muito – dos Estados), se baseia na exploração do trabalho dos povos e no controle da biodiversidade e dos nossos territórios.

A “música livre” pode ser mais livre do que só das gravadoras e do ECAD.

O objetivo desse post é tentar contribuir com o debate sobre música livre, especificamente com o processo de construção do festival internacional de música livre, mesmo sendo só uma ouvinte. Assim como eu, tem muita gente que quer que a música livre contribua, ativamente, com a liberdade das mulheres. E por isso, já dissemos em alguns lugares que a música também tem que ser livre do machismo.

E, por que apostar que este – e não outro – processo de construção pode incorporar essa perspectiva, que é feminista?

Primeiro porque no principal movimento que impulsiona este festival (o MPB) tem pessoas, coletivos e bandas explicitamente feministas, ou que apoiam de alguma forma o feminismo. E porque a definição em torno da qual se organiza a proposta do festival se orienta a transformar estruturas marcadas pelo monopólio e concentração de recursos e poder, e a construir alternativas mais horizontais e democráticas. Além de ser um processo construído de forma ampla e aberta. E que é contra hegemônico. E está escrito na convocatória do lançamento que a inclusão das mulheres é um aspecto do festival =)

Tudo isso não significa que o festival vai automaticamente incorporar de formaativa uma perspectiva feminista, mas é um processo que já tem a faca e o queijo na mão.

O discurso, que já existe, tem que ganhar forma e se transformar em prática.

Mas, por que mesmo???

Primeiro porque a organização da música livre se dá em uma sociedade que ainda exclui e discrimina as mulheres, uma sociedade que é ao mesmo tempo machista, racista e homofóbica. E qualquer iniciativa que a gente tenha nesse mundo, aqui e agora, pode reproduzir, mesmo de forma inconsciente, desigualdades e discriminações que dominam as nossas relações, que são valores hegemônicos.

A gente pode identificar alguns mecanismos machistas desse mundo de hoje e ver como se refletem na música.

  1. Separação do que é trabalho de homem e trabalho de mulher, que a gente chama de divisão sexual do trabalho. É o mecanismo que historicamente exclui as mulheres do mundo público e que faz com que ainda haja uma super desigualdade salarial no Brasil. Mulheres ganham em média 67% do salário dos homens, as mulheres negras ganham menos que as mulheres brancas. Isso também acontece no mundo da música? Operador de luz, de som e holdies costumam ser homens, enquanto as mulheres geralmente costumam fazer maquiagem, cuidar do figurino d@s artistas e ficarem bonitas na porta recepcionando convidad@s. E quem toca bateria e guitarra? Na maioria das vezes, são homens. A gente sabe que não é por ter menos capacidade pra tocar instrumentos (e se você ainda achar isso, olha como você tá equivocado: Anne PaceoEllen Oléria,Esperanza Spalding, Some Community…). Então… até tem, mas são poucas mulheres instrumentistas. Por que??? E como muda isso?
  2. Mercantilização do corpo das mulheres – tá presente nas propagandas de cerveja, na indústria do turismo sexual – em qualquer lugar que as mulheres sejam tratadas como mercadoria, julgadas e “valorizadas” a partir do seu corpo. E no mundo da música? Tem uns grupos musicais que tocam no Faustão em que o único espaço da mulher é dançando de shortinhos, e tem que ter corpão. Muitas meninas que tocam em banda relatam que no palco são julgadas não pela música que fazem, mas pelo corpo, e por serem mulheres - fiu fiu, gostosa, etc é mais comum do que elogios ou críticas às mulheres pela sua produção como artistas.

  3. Violência contra a mulher. A cada dois minutos, cinco mulheres são vítimas de violência no Brasil. 16% de mulheres já levaram tapas, empurrões ou foram sacudidas, 16% sofreram xingamentos e ofensas recorrentes devido a sua conduta sexual e 15% foram controladas a respeito do local aonde iam e com quem sairiam. Além disso, 13% sofreram ameaças de surra e 10% já foi de fato espancada ao menos uma vez na vida. A violência sexista, além da agressão física, pode ser de várias formas. E isso tem na música? O exemplo mais forte que vem na cabeça são as letras de música que legitimam a violência e desqualificam as mulheres, tipo “um tapinha não dói”, ou “Eu tô achando que esta mulher danada Ficou mal acostumada e tá gostando de apanhar Ajoelha e chora”, ou “Quero uma mulher que saiba lavar e cozinha, que de manhã cedo me acorde na hora de trabalhar”, ou “mulher finge bem, casar é negócio”, ou “Subi no muro do quintal e vi uma transa que não é normal. E ninguém vai acreditar, eu vi duas mulher botando aranha prá brigar… vem cá mulher deixa de manha minha cobra quer comer sua aranha” ….

A música pode ser livre do machismo!

E a convocatória do Festival aponta pra isso, ao afirmar que

(…)Observamos uma histórica segregação das mulheres em determinados espaços na sociedade, da qual deriva a situação de discriminação, invisibilidade e desvalorização da produção das mulheres presente, ainda hoje, também no âmbito da cultura. Queremos, através do Festival, contribuir para a inserção das mulheres em todas as etapas do processo de produção cultural.

Então, aqui vão umas ideias soltas que podem servir pra cumprir esse objetivo:

O machismo poderia ser um assunto presente nas discussões preparatórias do festival. Só de ser um assunto, isso passa a ter visibilidade, e vira uma questão que não pode ser ignorada. Como o machismo se reproduz na música e na cultura? Como é possível combatê-lo? O feminismo também pode ser um assunto =)

Poderia ter espaço pra aprender com as experiencias de festivais organizados com o objetivo de inserir as mulheres, como o mulheres no volante, o festival da mulher afro latinoamericana e caribenha, ou com a organização das mulheres no Hip Hop, enfim, tem várias experiencias. No Brasil e fora do Brasil – já que o festival é internacional. Um exemplo é a Gals Rock. Cada grupo que organiza estes espaços tem um monte de acúmulo pra socializar.

Oficina de guitarra no #mnv4

Poderia ter um incentivo concreto pra participação das mulheres. Na política, existem cotas mínimas para as mulheres, como uma ação afirmativa. E no festival da música livre, o que pode ser? Dá pra fazer um esquema tipo as cotas? Ou algum compromisso concreto de inserção das mulheres, oficinas específicas pra mulheres, ou outra forma que a criatividade coletiva inventar. E aí é legal pensar em todas as etapas da produção, e todas as partes que compõem o festival: as bandas, as produtoras, as técnicas, as debatedoras nas mesas, etc, etc, etc.

Poderia ter uma atividade preparatória que faça o debate sobre as mulheres na música, sobre música livre do machismo…

Já que o Festival faz referencia ao Forum Social Mundial, poderia ter alguma coisa parecida com a Politica de igualdade, proposta pela Marcha Mundial das Mulheres e a REMTE, e aprovada no FSM. Entre as definições dessa política estava a declaração do FSM como um território livre da violência contra a mulher.

Poderia ser critério pros patrocinadores ou fornecedores de cerveja a não mercantilização do corpo das mulheres em sua publicidade.

Poderia ser um monte de coisas, mas pra ser assim, tem que ser um objetivo do festival que a música livre também seja livre do machismo, contribuindo assim pras mulheres serem mais livres nesse mundo.

Querer-se livre é também querer livres os outros.
Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.

(Simone de Beauvoir)

Texto publicado originalmente em: Roupas no Varal

Convocatória – Lançamento do Festival Internacional de #MusicaLivre – #FimLivre #CulturaDigital #Feminismo

Olás!

O Mulheres no Volante está participando da organização do Festival Internacional da Música Livre. Confiram abaixo a Convocatória.

Convocatória – Lançamento do Festival Internacional de #MusicaLivre – #FimLivre #CulturaDigital #Feminismo

 

Nós do movimento Música Para Baixar (MPB) compreendemos a música não apenas como entretenimento mas como uma forma da  liberdade de expressão de ideias e sentimentos humanos. A falta de transparência na distribuição de recursos advindos da produção e o acesso intermediado por monopólios não contribuem para a diversidade musical brasileira tampouco para uma maior geração de renda dos artífices envolvidos na cadeia produtiva da música.

Vivemos um momento de definições do que é acesso e produção de música. As novas tecnologias, atualmente por terem a capacidade de ampliar as possibilidades de democratização da comunicação, da música e do conhecimento, atravessam um processo de ataques institucionalizados de diferentes setores que acirram a vigilância e o controle sobre o ambiente digital. Leis que regulamentam a circulação de conhecimentos e de propriedade intelectual são cada vez mais rígidas e engessam, por sua vez, as possibilidades criativas, com nítidos objetivos de determinar o que será consumido como cultura.

Ao mesmo tempo, observamos uma histórica segregação das mulheres em determinados espaços na sociedade, da qual deriva a situação de discriminação, invisibilidade e desvalorização da produção das mulheres presente, ainda hoje, também no âmbito da cultura. Queremos, através do Festival, contribuir para a inserção das mulheres em todas as etapas do processo de produção cultural.

O Festival Internacional de Música Livre (#FimLivre) será um espaço de mostra musical e debates, em que valores como colaboração, flexibilização das leis de direito autoral,  generosidade intelectual, ativismo, troca, criação livre, licenças  livres, redes sociais digitais e produção compartilhada serão elementos a serem discutidos enquanto novas possibilidades que integram a produção musical e desenvolvimento local. Representam um momento único de reapropriação da música, arte, tecnologia e comunicação colaborativa, por todas e  principalmente par aqueles que até agora foram excluídos do acesso à criação, produção e apreciação da música.

Reconhecemos o apoio e parceria do Governo do Estado do RS que, através do Gabinete Digital do Governador Tarso Genro, constrói o #FimLivre de forma colaborativa com ativistas da cultura e música digital, para que nesse processo possamos também elaborar políticas públicas para o desenvolvimento de uma sociedade livre para o bem comum, em que a mais pessoas participem desse processo, efetivamente, desde sua concepção até sua implementação.

O desafio também é pensar políticas públicas que considerem as práticas da internet, que organizem cadeias produtivas e modelos de criação, produção e apreciação da música, que fomentem relações sociais, culturais e econômicas justas e transparentes, sem intermediários, para que exista cada vez mais equilíbrio entre remuneração justa d@ criador(a) e gestor(a) das suas obras e o livre acesso aos cidadãos.

Sob essas perspectivas, o Movimento Música Para Baixar convoca organizações, coletivos e indivíduos para lançamento #FimLivre, que acontecerá na Casa de Cultura Mário Quintana, no dia 13 de abril às 16h em Porto Alegre.

O lançamento do #FimLivre é também parte da programação do Festival IberoAmericano “EL MAPA DE TODOS” que acontecerá nos dias 12, 13 e 14 de abril, em Porto Alegre, com participação de artistas de diversos países. Saiba mais: http://www.elmapadetodos.com.br

Serviço:
O que? Lançamento do Festival Internacional de Música Livre – #FimLivre.

Onde? Casa de Cultura Mário Quintana – Porto Alegre

Quando? 13 de abril às 16h.

O lançamento será transmitido pela internet. O endereço da transmissão será informado neste link: http://openfsm.net/projects/fimlivre/blog/ e nas redes sociais.


Contatos:
Gustavo Anitelli (11) 86996683
Richard Serraria (51) 91047759

Rumo ao #mnv5!!

Oficina de stencil no MnV 4.0, por Maria Hallack e Carol Motta.

Obrigada a todas e a todos que contribuíram para o sucesso do Festival Mulheres no Volante 4.0, à Funalfa, pelo convite para participar da programação do Mês da Mulher, e ao Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, por todo o apoio.

Esperamos, nos próximos anos, ter muito mais bandas mistas e femininas, muito mais poetisas, artistas plásticas, diretoras de cinema, grafiteiras, fotógrafas, designers e produtoras culturais. Esperamos contribuir para inserir as mulheres nas mais diversas linguagens, e para começar a mudar alguns pensamentos de homens e mulheres.

Através do compartilhamento do trabalho doméstico e de cuidado com a família, por exemplo, as mulheres terão mais tempo de se dedicar à arte. Através da desconstrução dos modelos “feminino” e “masculino” na sociedade, homens e mulheres poderão decidir, livremente, se querem ser bateristas, cozinheiros, diretoras, bailarinos, senadoras.

Também acreditamos ser fundamental a união e o envolvimento das(os) artistas que participam do festival. Nosso palco está aberto para quem acredita no projeto e contribui, de alguma forma, para sua realização.

O MnV é um projeto coletivo e independente, construído através de parcerias e de muito apoio de todas(os) que se envolvem com o festival: seja emprestando uma guitarra pra oficina, seja ajudando a carregar pneus, seja sugerindo artistas legais, seja tirando fotos do evento, seja fazendo críticas construtivas.

Queremos estimular a criatividade, a troca e o debate através de redes de colaboração e solidariedade, em prol tanto da inclusão das mulheres na arte quanto da construção de uma cultura livre de machismo, livre de jabá, livre de ECAD…

Sim, nós queremos mudar o mundo. E estamos começando pela cultura.

Rumo ao #mnv5!!
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Confira a cobertura fotográfica do MnV 4.0:

Abertura, por Thais Thomaz (Boa Dica JF):

http://www.boadicajf.com/galeria.php?act=ealbum&c=13

Oficinas e abertura, por Aline Freitas (Ready to Kill):

http://readytokill.com.br/?p=13349

Oficina “Imagem Digital para meninas”, por Thais Thomaz (Boa Dica JF):

http://www.boadicajf.com/galeria.php?act=ealbum&c=14

Oficina “Rock para meninas”, por Thais Thomaz (Boa Dica JF):

http://www.boadicajf.com/galeria.php?act=ealbum&c=15

Encerramento do MnV 4.0, por Thais Thomaz (Boa Dica JF):

http://www.boadicajf.com/galeria.php?act=ealbum&c=16

Encerramento do MnV 4.0, por Raphaela Campos (Ready to Kill):

http://readytokill.com.br/?p=13203

Facebook do Mulheres no Volante:

http://www.facebook.com/album.php?id=100001500591665&aid=33907